13 agosto 2009

A MONOGAMIA


Li, numa dessas revistas semanais, uma reportagem sobre como os fundamentalistas, através da aparente constatação da chamada "marcha dos pingüins", que descreve o grande percurso que os pingüins percorrem para acasalar-se, e, em grande parte, com os mesmos parceiros da marcha anterior, estão tentando demonstrar que a monogamia é o natural na dispensação divina da criação.

O comentarista da área de ciências, dessa revista, desancou os tais fundamentalistas, fazendo ver a ingenuidade e a simploriedade desse argumento antropomórfico. Deixando claro que há outros fatos no comportamento dessa espécie que, por si só, desautorizam essa conclusão.

O comentarista da revista parece ter razão. Mesmo nas escrituras, esse assunto passou por várias fases:


A - No momento da criação Deus ordenou a monogamia (Gn 3.24), e o relacionamento entre homem e mulher era de unidade. Dois seres, mas, uma só carne. Duas vidas, mas, um só caminho e uma só missão.
B - No evento da queda Deus subordina a mulher ao homem, dizendo que ela seria governada por seu marido (Gn 3.16).
C - Depois disso Deus desaparece da cena por sabe-se-lá quanto tempo; quando reaparece encontra a poligamia e, a rigor, não mexe nisso, embora esta signifique o exarcebamento do governo do homem sobre a mulher.
D - Quando Jesus Cristo aparece, ele manda voltarmos para o início (Mt 19.8), para o momento da unidade, onde o relacionamento não está mais baseado no governo, mas, na unidade, portanto, na igualdade e na cumplicidade.


Alguém poderá dizer que não é assim, porque Paulo diz que a mulher deve ser submissa ao seu marido. Entretanto, o próprio Paulo diz que está falando da relação entre Cristo e a Igreja (Ef 5.32).

Nós é que não queremos prestar a atenção nisso, acabando por fazer uma má exegese. Quanto ao relacionamento conjugal, Paulo diz que o homem deve amar a sua mulher como a si mesmo e a mulher deve respeitar ao seu marido (Ef 5.33).


Portanto, não há dúvida,
o caminho escolhido por Deus para o relacionamento conjugal é o da monogamia. Não por causa de uma determinação genética, nem por causa de um imperativo moral, mas, porque fomos criados à imagem e semelhança de Deus, que é, em si mesmo, uma unidade, logo, não há como ser expressão desse Ser sem, de alguma maneira, participar da unidade que o caracteriza.

Daí é na unidade da monogamia, e da família, e da comunidade, que manifestamos a imagem de Deus. Sim, porque os anjos têm as mesmas qualidades cognitivas e volitivas que nós, mas não são tidos como criaturas à imagem de Deus.

E, para além do corpo, que não nos distingue como "imago Dei", o que experimentamos de Deus, diferentemente dos anjos eleitos, é que, guardadas as devidas proporções, somos as únicas criaturas de Deus que experimentam a unidade que o distingue.

A monogamia não é natural, mas, litúrgica. A monogamia está fundamentada na unidade. Qualquer outro tipo de relacionamento no casamento conspurca a imagem de Deus.
Por Ari, logo Ari.

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